18 de junho de 2012

Entrevista| Alinne na 'Isto é Gente'

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Estreando Doroteia, de Nelson Rodrigues, a atriz conta que se identifica com a personagem, uma bela mulher que quer ficar feia e que muda de vida para se adequar socialmente



Alinne Moraes ainda não se olhou no espelho para ver como fica de Doroteia, sua personagem no teatro. Ainda não passou pela surpresa de se ver transformada em uma mulher feia - mesmo sem o recurso de maquiagens excessivas. "Fiz uma tetraplégica, né?", lembra ela, referindo-se à sua atuação na novela Viver a Vida (2009) para explicar o trabalho corporal e facial que faz agora em cena. A atriz diz que o segredo é sentir o que Doroteia sente. E ela conhece parte desses sentimentos, já que se identifica com a personagem. Doroteia, a protagonista de peça homônima de Nelson Rodrigues, e uma mulher que quer ser feia para se adequar socialmente. Alinne conta que, quando modelo, andava se escondendo para não chamar atenção nas ruas e, mais tarde, precisou ultrapassar a própria beleza para mostrar que é atriz competente. "Ainda hoje se brinca associando a beleza à burrice. É quase um bulling", ri. Com direção de João Fonseca, a peça estreia na quarta-feira 20, no Rio, e com Gilberto Gawronski, Alexandre Pinheiro e Paulo Verlings no papel das três tias viúvas e "sem quaisquer curvas femininas" que Doroteia vai procurar quando, depois de perder o filho, decide deixar de ser prostituta para se tornar uma mulher feia.


  • Como Doroteia chegou até você? Foi escolha sua? Foi convite?
Eu admiro o trabalho do João fonseca há muito tempo. Há sete anos, íamos fazer uma peça juntos, mas fui chamada para um trabalho na Globo. Desde então, fiquei com essa vontade de trabalhar com ele. Nos últimos três anos, comecei a ler textos. O Antônio (Amancio, empresário da atriz) me apresentou essa peça e eu me apaixonei, porque fala de beleza, pecado e hipocrisia. Eu me identifiquei muito, porque trabalhei com a beleza desde meus 12 anos. É uma peça difícil. Tem drama, comédia, farsa.
  • Por que se identificou com a Doroteia? 
Eu me via em alguns momentos nas cenas. Sou tímida e, no começo, andava na rua me escondendo para não chamar a atenção, com o book debaixo do braço. Depois que me tornei atriz, precisei provar algo além da beleza. Parece que a gente tem de enfear para poder ser de acordo com o que acham certo. E eu vejo a Doroteia tentando se enfear, se coagir, para não instigar o desejo alehio. Ela quer se redimir e vai à casa das tias. 
  • Logo no início da peça, uma das tias diz à Doroteia: "Linda és tu! E és doce, amorosa e triste. Tens tudo o que não presta!" O que pensa sobre isso?
Acho que muitas mulheres são até machistas, querendo que as pessoas se apaguem para não chamar atenção. Mulher não pode despertar desejo, senão causa desentendimento entre um casal. No meu caso, quando comecei a atuar, era muito difícil. Para contar uma boa história, as pessoas presicam esquecer você. Dependendo de como se lida com a própria beleza, ela pode se transformar em um fardo. A sociedade tem isso. Se você é feio, pode ser um grande ator. Olha que passei por pouco preconceito. Desde que comecei, em Coração de Estudante (2002), eu fui bem recebida. Mas vejo isso acontecendo. Ainda hose brinca associando a beleza à burrice. É quase um bulling(risos).
  • A Doroteia sofre por tentar se adequar socialemente. Já passou por uma situação dessas? 
A vida é assim. As pessoas vão se juntando e você vai tentando se adequar. Acabei caindo na minha primeira novela meio por acaso. É como se eu fosse o patinho feio e quisesse seguir os outros patinhos. E eu sabia que fazia parte daquela família, mas não tive uma formação de teatro. Minha formação foi trabalhando. Depois, fui estudar artes dramáticas. Foi uma adequação. Eu me lembro de uma situação com uma das minhas primeiras professoras. Eu estava fazendo Mulheres Apaixonadas. Ela me disse: "Pela primeira vez, eu vi uma cena que me emocionou. Vi a personagem e não você". Na época, eu estava com 20 anos. Ela dizia: "Sua beleza encanta e a gente fica muito ligado a ela. Quando a gente vê, já passou a cena e a gente esqueceu a história. "Eu tenho de me tirar da cena para que a personagem possa existir.

  • É verdade que não há recursos de maquiagem para deixar você feia em cena? O que faz para ficar feia? 
É um trabalho de corpo. Eu já fiz um tetraplégica, né? (Viver a Vida, 2009). E o teatro permite isso. Se a peça diz que está nevando, o público entende que está. Tem, sim, maquiagem, mas a transformação é no coprortamento. Acho que já é o suficiente.
  • E como foi se ver no espelho depois de "ficar feia"? 
Não via até agora no espelho. Não dá. Mais do que a autocrítica no espelho é importante o que está dentro de mim. Eu não queria me olhar porque não vou me achar. É uma ilusão. Eu só vou conseguir me achar dentro de mim. Se eu estiver sentindo e acreditando, é mais próximo do real. Na vida também é assim. A gente tenta tanto se achar lá fora e não está sentindo nada. É uma grande ilusão.
  • Já tem projetos para quando terminar a peça? 
Eu tenho um projeto da Fernanda Young e do Alexandre Machado, mas ainda nem li. É só para novembro. Não estou dormindo para a estreia. Não quero nem pessar nisso.
  • Não está dormindo? 
É normal. A gente fica ansiosa, nervosa. O nervosismo faz parte. Ele impulsiona.

Teatro Poeira- r. São João Batista, 104. Rio de Janeiro, tel.:(21)2537-8053. Até 25/07.14 anos

Edição 667 (16/06/12)


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