13 de julho de 2015

Mãe de primeira viagem, Alinne Moraes se diz rigorosa com o filho, mas marido vai além: ‘Ela é obsessiva’

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Na clássica beleza de Alinne Moraes — composta num arranjo de lábios fartos, olhos brilhantes e madeixas naturalmente esvoaçadas —, um clichê feminino sobressai. É preciso pouco para descobrir. Ela mesma confessa, antes de surgir a pergunta: como tantas no mundo, a atriz se considera uma nova mulher desde que deu à luz o primogênito Pedro há um ano. Algo mudou por debaixo da pele alva. “Ela virou uma mãe obsessiva”, entrega o marido, o cineasta Mauro Lima. “Ele falou mesmo isso?”, questiona a paulista de Sorocaba, espantada. Pouco depois, sem notar, deixa escapar uma prova do que o companheiro havia observado. Alerta, saca o celular da bolsa para mostrar que consegue monitorar pelo aparelho os passos do filho através de câmeras instaladas nos cômodos de casa.

— Logo que soube que estava grávida, junto com o amor, surgiu um medo dentro de mim. É um medo de não saber o que vai acontecer. Tudo é uma grande novidade. Quando meu filho nasceu, achei que relaxaria. Já percebi que isso só piora, porque o amor aumenta — ressalta Alinne, protagonista da próxima novela das seis “Além do tempo”, que estreia amanhã.

Quatro anos separam o novo papel do último trabalho em novelas, “O astro”. Nesse período, a atriz ultrapassou a barreira dos 30, experimentou a tragédia de Nelson Rodrigues (na peça “Doroteia”), fez mergulhos no cinema e, por fim, descobriu o prazer e os mistérios da maternidade. O retorno aos folhetins vem com um sabor especial. Ao desbravar a trama de Elizabeth Jhin, ela se deparou com inusitadas coincidências. Como a noviça Lívia, Alinne é extremamente ligada à mãe e apenas conheceu o pai biológico quando adulta, aos 22 anos.

— Não precisei nem de pesquisas para compor a personagem. Minha própria história já é um laboratório. Sei de tudo exatamente — afirma, preferindo não entrar em detalhes sobre a relação com a figura paterna.


A história, na verdade, é pouco esclarecida entre a família. Alinne entende que o assunto é delicado e prefere não encher a mãe de perguntas. Assim fez — e fará — durante toda a vida. Até hoje, por exemplo, não sabe os reais motivos de o pai, hoje morto, ter abandonado a mulher com um bebê em casa. O encontro com o genitor só aconteceu porque ele a procurou, numa ligação que fez para a TV Globo há pouco mais de dez anos.

— É difícil falar sobre isso. É como se eu tivesse nascido sem um braço e me perguntassem o que eu faria se tivesse o braço. Não sei, não posso dizer. Se convivesse com um pai e esse pai sumisse, talvez pudesse falar sobre essa falta. Para mim, isso nunca existiu. Como falar de um laço que não aconteceu? — frisa, sempre com o discurso firme.

Diferenças significativas com a heroína do mundo da ficção se destacam entre tantas semelhanças. Dona de tiradas bem-humoradas que recorrentemente afrouxam o riso dos colegas durante as gravações, como recorda Ana Beatriz Nogueira — sua mãe na trama —, Alinne deixou de ser mocinha há muitos anos. Como modelo desde os 12, encurtou etapas importantes da vida. Sabe bem o significado da palavra labuta. Antes mesmo de ser uma debutante, já conhecia o Japão e países da Europa. Quando adolescente, desfilou, fotografou e suou. Aos 16, comprou o primeiro imóvel próprio da família, em São Paulo.

— Deixei de experimentar muitas coisas, mas ganhei muitas outras. Talvez tenha perdido um pouco da ingenuidade, sabe? Poderia ter brincado mais de boneca, apesar de sempre ter sido metida a madura — lembra ela, que acabou tentando seguir o sonho da mãe de ser miss, revertendo a situação financeira pouco confortável de casa: — Tenho essa carinha de bonita, mas a verdade é que fazíamos uma única compra no mês. Nas contas, era um salário mínimo que entrava. Nunca passei fome, mas jamais teria a oportunidade de conhecer tudo o que conheço.

Os trajetos improváveis das passarelas desaguaram no universo artístico da TV, onde apareceu pela primeira vez em “Coração de estudante” (2002). Lá ficou — e parece querer ficar cada vez mais, mesmo com os eventuais afastamentos. Ainda assim, a atriz não esquece o passado no interior, quando voltava da escola e não entendia a fila na porta de casa, com gente querendo uma prece da avó, a benzedeira da cidade. “Era outra realidade”, ela não nega. Sempre que pode, revisita as origens, onde ainda mora a mãe, funcionária pública.

O retorno a um ritmo intenso de trabalho — “o segundo maior momento na vida de uma mãe após o desmame”, ela destaca —, com gravações que chegam a ultrapassar jornadas diárias de 12 horas, é bordada em linhas de religiosidade. Dividida em duas fases e com referências ao espiritismo, a novela mostra as diferentes realidades de personagens que reencarnam após 150 anos. Para a atriz, serve como inspiração para incrementar as próprias crenças, “formadas por um pouquinho de cada religião”.

— Já fui bem espírita. Depois, desacreditei em tudo. Prefiro crer no que eu mesma acho, e isso, às vezes, muda demais. Fé eu tenho muita. Se plantar a coisa boa hoje, acho que amanhã naturalmente colherei bons frutos. Para isso, preciso estar focada no agora — diz, demonstrando interesse na entrevista, como se estivesse nos instantes mais importantes de sua vida: — Não me interessa saber o que fui ou serei numa outra vida. Nossa rotina já é um caos tremendo... Se não nos atermos ao agora, nos perderemos. É engraçado, porque, se penso em alguma coisa que gostaria de ter sido, paro tudo para poder seguir aquilo. Não tenho medo algum de mudar, a qualquer hora. Estou em transição, aprendendo todos os dias.

Sobre os dissabores gerados pelo assédio habitual a quem mostra a cara na TV, ela parece ter encontrado paz interior. Por incrível que pareça, a mulher que um dia foi modelo não gosta de flashes e holofotes. Sabe, no entanto, lidar com a exposição. Aprendeu. Desde cedo, constatou que isso é inerente ao ofício. “A prova é o fato de o ‘Big Brother’ ainda fazer tanto sucesso no Brasil”, justifica. Aos 20, bem no início da carreira, espantou-se com a comoção criada ao redor do namoro de três anos com Cauã Reymond, que conheceu aos 13, ainda nos bastidores do mundo da moda.

— Foi bonitinho na época. O casal 20 do momento era formado por dois adolescentes, um príncipe e uma princesa. Mas a repercussão sobre nossa separação me assustou. Foi a primeira vez que rompia um relacionamento para a mídia. Ali, vi a dimensão do quanto realmente as pessoas se interessam pela minha vida. Há pouco, uma repórter me peguntou se meu marido não sentia ciúme do Cauã. Como? Foi ele que o chamou para fazer “Tim Maia” (2014) comigo. Óbvio que somos amigos! — exclama em tom calmo, sem grandes exaltações: — No momento atual, o que mais me incomoda é quando Pedro está sem mim, com a babá, e é fotografado. Acho perigoso, porque cria um glamour que não existe. É apenas uma criança. Como mãe, só quero proteção.

Novamente, o assunto é o filho. “Inevitável”, ela admite. Durante todo o papo, a cabeça da atriz esteve nele de alguma forma, ela confessa, mostrando uma foto do pequerrucho com o pai, na tela do celular.

— Alinne arrancou uma mãe de dentro dela que eu não sei de onde veio. Cinco minutos após o parto, era outra pessoa. Ela absorveu toda a literatura possível e publicada no mundo, traduzida em vários idiomas na internet. Ela conseguiu achar até o que cada tipo de choro do bebê significa. Minha mulher se amarra mesmo em ser mãe — conta o marido, que recentemente a dirigiu na cinebiografia do Síndico.

Ela confirma tudo. Classifica-se como uma mãe britânica — e quer estar sempre perto do filho. Em recorrentes vezes, atravessa a cidade às pressas para conseguir chegar a tempo do banho do pequeno, com o pé no acelerador do Projac, em Curicica, ao Jardim Botânico, onde mora. Na cozinha de casa, uma lousa indica todos os horários do bebê, da troca de fraldas e do banho ao almoço e ao cochilo. A origem de tanta rigidez é óbvia: está atrelada a toda história de vida. Naturalmente, Alinne é uma mulher de disciplina.

— Agora, as coisas deram uma encaixada. Continuo rigorosa, mas estou mais amorosa comigo e com tudo. Acho que me tornei mais mãe do mundo também, sabe? Estou mais tranquila. Antes, dava importância a coisas desnecessárias. Tudo veio por água abaixo! — revela, visivelmente plena com o largo sorriso que estampa de orelha a orelha, motivo de chacotas e apelidos como “beiçola” e “bocão Royal” no passado: — Financeiramente, ter conquistado tantas coisas quando jovem, que era o meu maior sonho, me deu a chance de estar mais consciente e madura para realizar o segundo maior desejo da minha vida, que era formar uma família.

Com tantas boas novidades, a mulher de lábios fartos, olhos brilhantes e madeixas naturalmente esvoaçadas se vê mais bela no espelho? A resposta não é clássica.

— Já me senti mais bonita! Meu auge foi dos 18 aos 20 e poucos anos. Hoje, consigo enganar (risos)! Como trabalhei com beleza, sou muito sensata e verdadeira comigo mesma. Sei que o melhor de mim já passou — sentencia, sem hesitar a voz: — Agora não tem jeito. Acontece. Não sou muito escrava disso. Fiz sete anos de terapia para aceitar essa etapa. Se não fosse assim, eu estava aí colocando doses de botox atrás de outras. Sou bem resolvida!


Críticas a “Verdades secretas”: “Não conheço o tal de book rosa”

Cria do universo fashion, Alinne Moraes é uma telespectadora assídua de “Verdades secretas”, novela das 11 que expõe a prostituição no mundo da moda. Quando fala sobre o assunto, a atriz chega a levantar do sofá em que está sentada. Preocupa-se com as abordagens da trama de Walcyr Carrasco.

— Estão criando um preconceito sobre uma profissão que é linda e maravilhosa. Fico com medo! Coitada das meninas que estão começando todas bonitinhas... Agora, todos devem olhar para elas como se fossem pessoas querendo vender o próprio corpo. Não é bem por aí — dispara, engatando em opiniões embasadas: — Como numa agência só trabalham seis modelos? Se aquilo é aquilo é só uma agência de book rosa, então, na verdade, é um puteiro. Aliás, não conheço o tal de book rosa. Nunca ouvi falar. Durante minha carreira, o único olhar diferente que percebi, era do peão que gritava, quando eu passada: “E aí, gostosa!”. Foi esse assédio que recebi.

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