2 de janeiro de 2017

Alinne Moraes fala de carreira e maternidade

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Alinne Moraes tem uma presença forte na tela. Sempre teve, desde que apareceu em sua primeira novela, Coração de Estudante, em 2002. A câmera gosta dela. Ex-modelo, Alinne chama atenção pela beleza, mas não sustentou sua trajetória de atriz apenas na aparência. Assim que estreou na televisão, ela investiu nos estudos de interpretação, nas aulas de teatro, quando lhe sobrava tempo. “Em seis anos, fiz sete novelas, não parei. Eu estava mergulhada no trabalho e, no meu tempo livre, eu estudava”, recorda-se Alinne, em entrevista, por telefone, do Rio, ao Estado.

A dedicação lhe trouxe recompensas. Depois de Coração de Estudante, em que viveu logo de cara uma jovem mãe solteira, emendou a lésbica Clara em Mulheres Apaixonadas, em 2003, em que fazia par romântico com Rafaela (Paula Picarelli). No ano seguinte, destacou-se novamente em Da Cor do Pecado, como a surfista Moa, que se apaixona por Paco (Reynaldo Giannechini), mas tem um tumor no cérebro e, por isso, lida dia a dia com a iminência da morte. Sua primeira vilã veio em Duas Caras, de 2007, interpretando a psicopata Silvia. Em Viver a Vida, comoveu o público com sua personagem Luciana, rival de Helena (Taís Araújo) e que sofre um acidente que a deixa tetraplégica. Está também no rol de seus papéis marcantes a mocinha Lívia, de Além de Tempo, em 2015 – novela que, aliás, vale lembrar, fez história na teledramaturgia ao mostrar os mesmos personagens em duas épocas distantes: no século 19, e, reencarnados, 150 anos depois.

Atualmente, Alinne é uma das protagonistas da novela das 7, Rock Story, de Maria Helena Nascimento, como a empresária Diana. Cheia de nuances, Diana foi construída sem maniqueísmos: por vezes, apresenta tendências à vilania; em outras, tem atos nobres. Difícil defini-la. Alinne arriscaria que se trata de uma vilã?  

O que gosto do meu trabalho é que, quando eu tinha 20 anos, eu lia uma personagem e entendia de uma maneira, e hoje, com 30 e poucos, eu já entendo de outra maneira. Não é colocar só num pacote: a mocinha e a vilã. Sei que a minha função é ser a antagonista e atrapalhar o caso deles (o ex-marido, Gui Santiago, e a atual namorada dele), mesmo porque ela ainda não sabe o que sente pelo Gui (Vladimir Brichta) e ele foi tão vilão com ela a vida inteira quanto ela é. Não vejo ela como uma vilã, porque hoje eu leio as coisas de uma forma diferente. Vejo ela humana, uma consequência de todo um histórico dos outros personagens. É verdadeira, diz o que pensa e aprende muito com os próprios erros. Não sei o quanto ela vai chegar nessa vilania, mas estou preparada para tudo. Não gosto de ficar em cima do muro, é uma personagem que é capaz de tudo. Por enquanto, ela é muito humana ainda. Então, não sei daqui para frente o que vai acontecer.

Diana transita nos bastidores da música. É diretora artística da gravadora Som Discos, que comanda com o pai, Gordo (Herson Capri), e foi casada com o roqueiro Gui Santiago (Brichta), outrora ídolo e que agora tenta reerguer sua carreira. A atriz, que está se dedicando à trama desde julho de 2016, diz que pulou a parte da imersão num estúdio de música. Nessa área, ela diz que está bem ambientada.  

Boa parte dos meus amigos é músico, meu marido (o cineasta Mauro Lima) toca todos os instrumentos. Ele não só assina o roteiro dos filmes dele e dirige, como assina até as músicas. Ele que faz no estúdio, a gente tem um estúdio em casa”, conta. “Diana gerencia a gravadora, mas, como a gente tem uma personagem que é tão complexa quanto ela, existem coisas que são mais importantes do que essa coisa de técnica de gravadora. Tem a história, que eu acho que é mais importante, que é o sentimento, o conflito, para onde ela vai.

Na novela, Alinne volta a contracenar com Vladimir Brichta, com quem já dividiu a cena em outras tramas, começando por Coração de Estudante. “Aí fizemos meu primeiro filme, Fica Comigo Esta Noite, depois (a minissérie) Amor Em 4 Atos, em que eu era uma prostituta. A gente já se conhece e isso é muito bom, porque a gente sabe um pouco as ferramentas de trabalho um do outro.”

Maternidade. Nascida em Sorocaba, interior de São Paulo, Alinne se tornou modelo aos 13 anos por incentivo da mãe. “Sempre fui meio o patinho feio da escola, e minha mãe, obviamente coruja, sempre viu alguma coisa diferente em mim. Ela dizia: você é fotogênica, tem de ser modelo, tem de fotografar. E acabei gostando disso.” Ela participou de um concurso da revista Capricho, venceu e se mudou para São Paulo. Aos 14 anos, fez sua primeira viagem para o Japão como modelo e engatou uma série de trabalhos internacionais. Viajou o mundo.

Com 16, 17 anos, ela lembra que encontrou o diretor Alexandre Avancini na agência onde trabalhava. Ele buscava uma candidata à personagem Anita, que protagonizaria a minissérie Presença de Anita. Avancini viu Alinne e perguntou se ela já tinha feito TV. Ficou com ela no radar. Meses depois, ele fez contato com a agência. Ia fazer Coração de Estudante. E lá foram ela e outros dois modelos para o Rio. Ali, Alinne conheceu o diretor Ricardo Waddington. “Ele perguntou quem eu era, o que eu fazia. Contei um pouco da minha história, que minha mãe era mãe solteira. Ele disse: ‘vou trabalhar com você, acho que tem tudo a ver’.”

Para Alinne, é difícil eleger a personagem que tenha sido mais desafiadora em sua carreira. 

Vendo hoje, cada uma é diferente, não tem como colocar no mesmo lugar. Por exemplo, a Lívia, de Além do Tempo, foi tão difícil quanto foi a tetraplégica Luciana, porque nunca jamais pude imaginar que eu poderia fazer uma garota de 20 anos aos 30 e poucos, amamentando. É quase impossível, ainda mais me conhecendo do jeito que eu sou

A atriz conta que percebeu, desde sua primeira novela, “a função do ator, como é importante, é social”.

Até falam para mim: você é atriz, tem de dizer o que acha. Não tenho nada para dizer, não sou exemplo para ninguém, porque o meu trabalho já faz isso. Trabalho 16, 17 horas por dia. Ainda chego em casa e tenho de decorar para o dia seguinte, contando uma história que faz as pessoas se emocionarem. As pessoas querem que a gente se posicione sempre. Se eu não sei me posicionar, admiro quem sabe, mas não é onde eu me sinto bem.

Alinne prefere ocupar seu lugar no campo das artes. Em 2017, além de continuar no ar na novela Rock Story, ela poderá ser vista em dois filmes bem distintos: Os Saltimbancos Trapalhões – Rumo a Hollywood, ao lado de Renato Aragão e Dedé Santana, e João, sobre o maestro João Carlos Martins, com Alexandre Nero no papel-título e direção do marido da atriz, Mauro Lima (de Meu Nome Não é Johnny e Tim Maia). Alinne vê a atuação, em alguns casos, como uma terapia, como aconteceu quando fez Coração de Estudante. “A minha mãe foi uma mãe solteira que precisava trabalhar muito. Tive que fazer uma mãe solteira estudante (na novela) para poder compreender muito mais e me aproximar da minha mãe muito mais. Isso me ajudou muito”, conta.

Ela própria virou mãe: deu à luz Pedro, hoje com 2 anos. “A maternidade traz muitas coisas positivas, a gente cresce muito, mas ela te joga um balde de realidade. Pensei que fosse ser muito mais fácil, e não é. Dor é dor, medo é medo, amor é amor. E é um amor para sempre.”
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