22 de agosto de 2009

Alinne Moraes se prepara para viver personagem tetraplégica

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Alinne Moraes não esconde que gosta de trabalhar com personagens profundos. Cheios de dramas e histórias próprias. Para a atriz, a modelo Luciana, sua personagem em Viver a Vida, de Manoel Carlos - próxima trama da faixa das oito da Globo -, reforça ainda mais a preferência. É que no folhetim, Luciana, modelo conhecida internacionalmente e filha de Marcos, de Jose Mayer, sofre um grave acidente, que a torna tetraplégica.

"Sou uma atriz de altas emoções e me identifico com coisas extremamente dramáticas. Acho que essas histórias funcionam comigo", afirma, em tom pacífico. Para o novo papel, Alinne diz estar se preparando mais psicologicamente do que fisicamente. E garante entrar em cena sem sustos, mesmo que em uma cadeira de rodas, com movimentos contidos.

"Não tem como eu errar, pois me sinto muito preparada. O Maneco vai expor uma realidade que poucos conhecem. É essencial que as pessoas saibam como é para que possam amadurecer", analisa.

Você foi escalada para interpretar mais um personagem com uma carga dramática forte. Você se sente entusiasmada com isso?
Acredito que todos esses dramas que encontramos em novelas possam acontecer na nossa vida. Tudo para mim é sempre o extremo. Mesmo que esse extremo seja o meu. Eu me identifico muito com o diretor espanhol Pedro Almodóvar por conta dessa carga dramática que carrego comigo. Acho que isso acaba tendo alguma influência na hora em que recebo personagens. Prefiro personagens mais complicados. Para mim, trabalhar com papéis mais mais simples é complicado. É mais difícil mesmo. Até tento buscar isso, pois acho essencial, mas não é fácil.

Como é o trabalho de composição da Luciana?
Incrível. O interessante na montagem foi que de cara, olhei para os deficientes com distanciamento, depois comecei a entendê-los e agora, estou em uma fase romântica, de classificá-los como heróis. Essa vida de deficiência é uma superação diária. Estou há quatro meses fazendo laboratório ao lado da Patrícia Carvalho, uma mestra com quem tive a oportunidade de trabalhar. Estou fazendo todos os procedimentos da personagem na cadeira de rodas e convivendo nesse universo e entendendo cada vez mais. Faço questão de acompanhar como vive uma pessoa que sofre a tetraplegia. Como a pessoa se troca, cuida dos filhos, toma banho. Depois que a gente começa a entender mais sobre o ser humano, tudo fica mais fácil. Com a Luciana está sendo assim.

Por conta da deficiência que a personagem terá, você teve um cuidado maior?
É, sem dúvida, um pouco mais complexo, porque tem uma entrega maior. Apesar de me sentir segura, é difícil por conta de algumas adaptações. O meu corpo, querendo ou não, vai se tencionar por algum motivo, e eu vou realizar um trabalho inverso, tentar deixá-lo o mais relaxado possível e me entregar para outras pessoas. Em algum momento da novela, Jose Mayer e Taís Araújo são pessoas nas quais vou ter de confiar. Eles vão me posicionar em determinados momentos. Mas, sinceramente, acho que está sendo um trabalho muito mais emocional do que propriamente corporal.

Você chega a se questionar como vai se sair, passando grande parte da novela sem utilizar a expressão corporal, tão importante para os atores?
Eu embarco no que faço. Comecei esse trabalho e estou tão aberta que não consigo nem pensar nas dificuldades em si. Acho que a dificuldade paralisa a gente. Por acaso, nessa história, vou abordar outro tipo de paralisia. Depois de tanta pesquisa, reconheci que existe a paralisia física e a emocional, relacionada à questão do medo. É interessante tocar neste ponto, pois vou lidar com o assunto. Agora consigo entender e usar isso na minha vida também. Vejo que o medo, essa coisa de não se cobrar, de saber qual é o seu maior desafio é o que nos move. Neste trabalho, não vejo grandes dificuldades, pelo contrário. Agradeço e me orgulho muito e fazer um personagem assim.

Como a Luciana, antes de ser atriz, você trabalhou como modelo por algum tempo...
Trabalhei como modelo durante seis anos. Tive experiência de passarela lá fora, mas muito pouco. Aqui no Brasil fiz muito mais. Isso acaba ajudando, porque até o acidente, a Luciana é uma modelo internacional famosa, que disputa os desfiles com a Helena, da Taís Araújo. Mas quero deixar claro que todo esse drama que o personagem terá não é uma forma de castigo. Aí entra a questão social que o Maneco sabe explorar e é importantíssima. É uma responsabilidade grande para mim, mas minha cabeça está relaxada.

Essa segurança vem por conta de ser a segunda trama que faz ao lado de Manuel Carlos?
Posso dizer que sim. O texto do personagem é tão sensível que acaba ajudando e passa todas as informações que você precisa em uma cena. Não tem como errar, pois me sinto muito preparada. O Maneco vai expor uma realidade que poucos conhecem e que é essencial que as pessoas saibam para que podem amadurecer de alguma forma. Viver a vida, como o título da trama diz, é superação, força, amor...

Além desse drama, de uma preparação mais profunda, o que acha que esse personagem pode te trazer?
Essa personagem está me trazendo calma, além de uma consciência do presente, de viver mais o agora. Acho que todo mundo depende de todo mundo nessa vida. Vejo que a dependência, em si, não diz respeito somente às pessoas com limites físicos. Todos nós dependemos de alguém, da generosidade do próximo para algo. Você precisa estar disponível, livre, aberto. Ninguém acontece sozinho. É um grande trabalho com esse papel daqui para frente.

Essa sua preocupação toda com um trabalho acontece desde quando?
Acho que desde a minha estreia, em 2002, em Coração de Estudante. Apesar da minha inexperiência e imaturidade, já tinha consciência do meu trabalho. Quando começo uma novela, que dura em média oito meses, é como se eu tivesse ausente do mundo. Sei que tenho de estar presente quando todos precisam de mim. E me dedico muito. Sei que com o Maneco, vai acontecer de me entregarem textos às três horas da manhã e eu vou ter de decorar para o mesmo dia. Preciso estar focada se eu quiser realizar um bom trabalho. Quando terminar tudo, coloco a vida em dia novamente e vejo o que deixei para trás. Comigo, funciona assim.

E você vê esse método dar resultado?
Com certeza. Eu sou uma atriz que, normalmente, vai encontrando o personagem no decorrer da novela, com o retorno do público e do autor. Essa forma de trabalho é uma coisa que varia de ator para ator. Aconteceu isso na época da Silvia, em Duas Caras. É que eu também já me sinto um pouco mais segura dessa vez. Estou em boas mãos.

Semelhança cênica
Antes de estrear como a estudante Rosane, em Coração de Estudante, Alinne Moraes estampava muitas capas de revistas de moda e beleza no Brasil e no exterior. Assim como Luciana, a atriz também chegou a trabalhar durante seis anos como modelo e passou por cidades como Tóquio e Nova York. Ela ficou conhecida como modelo quando ganhou um concurso em uma revista "teen", aos 12 anos. A partir daí, emendou trabalhos publicitários. Só parou quando resolveu começar a fazer testes para a TV. Tentou a sorte em Presença de Anita, em 2000, mas o papel caiu nas mãos de Mel Lisboa.

Só em 2002, Alinne conseguiu emplacar seu primeiro personagem. O diretor Alexandre Avancini escolhia novos talentos em agências de modelos quando viu seu composite. Resolveu mostrar as fotos para Ricardo Waddigton, diretor de Coração de Estudante, que a chamou para fazer um teste de elenco. O papel de Rosane acabou calhando para a ex-modelo, que a partir daí, resolveu abandonar de vez a carreira nas passarelas e nos estúdios fotográficos.

A atriz confirmou seu talento em Mulheres Apaixonadas, em 2003, que lhe rendeu o convite para Da Cor do Pecado, em 2004. No horário das seis, fez Como Uma Onda, em 2005, e emendou Bang Bang, no mesmo ano. Mas foi em 2007, em Duas Caras, que Alinne diz ter conquistado confiança do público e no trabalho. "Desde o início percebi que Duas Caras teria de marcar esse diferencial na minha carreira. E posso dizer que marcou. Foi meu maior sucesso na TV até agora", avalia.

Duas vezes Maneco
Alinne Moraes estava em sua primeira novela quando foi convidada para viver a estudante Clara, em Mulheres Apaixonas, de Manoel Carlos, em 2002. O papel seria um dos mais polêmicos de sua carreira. Clara era lésbica e tinha um romance com Rafaella, de Paula Picarelli. A atriz confessa que apesar de ter respeito pelo trabalho do autor, sentiu receio em aceitar o convite, por ser tão ousado. "Aceitei e o público recebeu tão bem que senti que estava no meu caminho", lembra.

Em Viver a Vida, Alinne vive outro drama, mas relacionado à deficiência. E já não sente mais insegurança ao lado de Maneco. Pelo contrário. A atriz garante estar de peito aberto para o novo trabalho. "Nem penso nas dificuldade. Agradeço muito por esse personagem", completa.

Trajetória televisiva
Coração de Estudante (Globo, 2002) - Rosane.
Mulheres Apaixonadas (Globo, 2003) - Clara.
Da Cor do Pecado (Globo, 2004) - Moa.
Como Uma Onda (Globo, 2005) - Nina.
Bang Bang (Globo, 2005) - Penny.
Duas Caras (Globo, 2007) - Silvia.
Viver a Vida (Globo, 2009) - Luciana.

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