1 de novembro de 2009

SEM LIMITES

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1 de novembro de 2009. | N° 572 

CAPA

Luciana, personagem de Alinne Moraes em “Viver a Vida”, fica tetraplégica nos próximos capítulos. A partir deste acontecimento, o autor vai trabalhar o tema central da novela: superação. Longe da ficção, não faltam exemplos de cadeirantes que venceram o trauma e tocaram a vida

É sábado. O sol brilha e o céu está azul. Dia perfeito para caminhar pelo Centro de Joinville e tomar aquele café gostoso. Que tal um desafio? Repare nos buracos das calçadas, nos obstáculos que vai encontrar no caminho, na quantidade de degraus que vai precisar subir (ou descer) para chegar ao destino e por quantos espaços estreitos ou escuros terá de passar.

Certamente você não teve problemas em ultrapassar estas pequenas barreiras. Mas imagine este mesmo trajeto sendo feito por um cadeirante. O constrangimento é apenas a primeira sensação. O desafio certamente tornaria o seu sábado bem diferente. E, provavelmente, toda a sua noção de igualdade seria revisada.

Nesta semana, o Brasil vai se comover com o drama de Luciana, uma modelo interpretada por Alinne Moraes na novela “Viver a Vida”, da Rede Globo. Ela vai sofrer um acidente durante um evento de moda que está participando na Jordânia, e ficar tetraplégica. A atriz já contou em entrevistas que se preparou durante cinco meses para dar vida e emotividade à personagem. Durante este período, contou com a ajuda de pessoas que vivem a mesma realidade dela e chegou a sair várias vezes pelas ruas do Rio de Janeiro com uma cadeira de rodas (disfarçada para que as pessoas não a tratassem de forma diferente por ser atriz), para saber quais são as dificuldades de locomoção enfrentadas pelos cadeirantes e como é o olhar das pessoas em relação a eles.

Na novela, a personagem Luciana vai sofrer uma grande transformação: vai passar de menina mimada à mulher forte e guerreira – claro, depois de superar a dor e o próprio preconceito. Após o acidente, ela não vai conseguir se mover do pescoço para baixo (pelo menos, inicialmente, terá a sensibilidade, mas não o comando para executar movimentos). Por isso, a atriz se dedicou a desenvolver a expressividade com o rosto e com a voz. A tarefa não foi nem um pouco fácil, mas Alinne garante que está preparada para o desafio.

Escrita por Manoel Carlos e com direção de Jayme Monjardim, “‘Viver a Vida’ vai tratar de um tema comum a muita gente: a superação de limites. Vai falar do prazer de viver, da esperança e do resgate da emoção nas relações. “Viver a Vida falará do que somos capazes de superar, mesmo quando pensamos estar num beco sem saída, numa situação-limite. Temos força suficiente para a superação de todo e qualquer problema, desde que possamos unir a essa força uma férrea vontade de alcançar a nossa meta”, explica Manoel Carlos.

No final de cada capítulo ou no site da novela (http://viveravida.globo.com/), é possível conferir o Portal Superação, que exibe histórias de gente que procura viver da melhor forma, com ou sem obstáculos, superando as adversidades e, sobretudo, superando a si mesmos. São pessoas como a empresária Sandra Rampini (que conta seu drama pessoal com um trágico acidente em palestras que tentam conscientizar as pessoas); o estudante Roberto Käsemodel (que tem a palavra “vida” tatuada no pulso e é um apaixonado pelas belezas da vida); e a psicóloga Sheila Rosskamp (que se revelou uma verdadeira fortaleza humana, e ainda tem muitas lições de superação para dar).

Os três joinvilenses contam suas histórias de superação nesta reportagem e disseminam o valor desta palavra carregada de significados e que tem o mágico poder de comover e tornar melhores as pessoas ao redor. Tem ainda o depoimento de Maria Andrina Alves, que não é deficiente, mas, como a atriz Alinne Moraes, interpreta uma cadeirante num espetáculo de teatro.

Em Joinville, existem pelo menos 60 mil pessoas com algum tipo de deficiência. Mas o número não expressa a quantidade de sonhos e planos que são abortados dia após dia, por causa das dificuldades encontradas por muitas dessas pessoas. Cada pequeno degrau que encontram no caminho torna-se uma barreira gigantesca para a locomoção, a auto-estima e a dignidade do cadeirante. O decreto 5.296, que garante o direito básico de ir e vir e da acessibilidade dos deficientes, está no papel, mas pouco é feito na prática.

E não se trata apenas de degraus ou buracos em calçadas. O cadeirante, em sua rotina, encontra ainda muitas outras provações quando tenta viver ao lado de quem anda com duas pernas. De quem, muitas vezes, não percebe que nem sempre é com pernas saudáveis que uma pessoa cruza importantes caminhos.

Nos bancos, o caixa eletrônico está na altura de uma pessoa em pé; telefones públicos para cadeirantes são difíceis de se encontrar; os provadores das lojas nunca tem espaço para uma cadeira de rodas; e por aí vai. A lista é longa. E no próprio lar, pequenas tarefas podem virar grandes desafios. Tomar banho, passar roupa e limpar a casa estão apenas no começo da lista.

Sérgio Luiz da Silva, que faz parte do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Comde), acredita que incluir a história de um deficiente numa novela de horário nobre é uma oportunidade de conscientizar os telespectadores, pois os folhetins podem abordar o tema de uma forma sensível e criativa. Conforme Sérgio, apesar de existirem inúmeras leis com a intenção de facilitar a vida do cadeirante no Brasil, a maioria nunca é aplicada. “Ainda falta acesso a muita coisa. Nós nos sentimos privados pela falta de sensibilidade da comunidade. E não estamos falando apenas dos cadeirantes. E sim de toda uma sociedade deficiente. Somos consumidores. Pagamos impostos, trabalhamos, somos cidadãos, mas ainda não temos acesso ao que a cidade oferece”, diz.

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